quarta-feira, 18 de abril de 2012

Plutão.

Eu o vejo! Sim, eu o vejo.

O vejo no bares, nos livros, nas árvores,
nas ruas das pacatas cidades,
nas amizades feitas com tanta facilidade.
O vejo nos tons de cinza e marrom
e também o vejo na chuva fina — aquelas,
que deixa a gente meio doente.
O vejo em presságios de dias bons
e na ventania que leva minhas incertezas
e traz um pouco de saudade.

E eu o sinto.

O sinto no dedilhar de violão, na nota entoada,
no verso recitado e na palavra cantada,
o sinto no corte do dedo ao tentar cortar uma maçã,
no escorrer de uma lágrima, no nascer de uma manhã,
no martelar infinito da dúvida
de como seria se não o parasse para conversar aquela tarde. 

E eu o busco.

O busco no vazio de mim e nas multidões,
nos meus sorrisos amarelos, na pressa de partir
em meio aos números, nos e-mails dos cartões,
e na vontade de sumir.
(De voar pra Plutão e me instalar lá, com muitos cobertores felpudos.)


      Será que ele está lá Plutão? Com cobertores e chá quente?
                   — Não sei, não se pode viver em Plutão.
           Vamos? Quem sabe o encontro passeando por lá...
               ... e escondendo minha vontade de escrever sobre a gente.


                                                                  Ana Eduarda 3º A

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Trotes

O trote no Terceiro Ano é quase que indispensável para os alunos, é o ultimo ano e queremos aproveitar o máximo do tempo juntos, é claro. Mas, para que serve o trote?
Inicialmente, essa "brincadeira" serve para arrecadar dinheiro para a formatura e para unir cada vez mais os alunos. Diferente das universidades (em que os trotes são conhecidos como um rito de passagem e, algumas vezes, violentos [para ver mais sobre clique aqui]), os trotes do Ensino Médio visam a comemoração dos alunos em seu ultimo ano.

Abaixo, algumas fotos do Terceiro Ano de 2012

3º A - Crianças Felizes!
Trote - Troca de Sexo

Trote - Troca de Sexo
Trote - Crianças


                                                                      Ana Eduarda  3º A

segunda-feira, 2 de abril de 2012

A garota abandonada pelas palavras.

Ela estava lá, parada, rabiscando um caderno e puxando alguns fios de cabelo.  O seu rosto estava marcado com maquiagem borrada pelas lágrimas. Eu a observava há alguns dias. Ela sempre sentava perto da janela, pedia um café e um biscoito. 
 A ponta da caneta estava gasta, o papel rabiscado e meio molhado. O que havia com ela?
Sentei-me ao seu lado, pedi à garçonete o mesmo que ela pedira. Ela parou de escrever e olhou pra cima, meio confusa, mas logo um brilho surgiu dentro daqueles olhos negros e interrogativos.  Ela sussurrou em um tom alegre:
– Que bom que você apareceu.
Surpreendi-me ao ouvir aquele sussurro tão espontâneo. “Ela me conhece?”, pensei. Fiquei olhando em seus olhos e ela mordeu os lábios, deu um sorriso, querendo se desculpar, e falou um pouquinho mais alto.
– As palavras. Elas sumiram de mim! Simplesmente me deixaram...
– Como assim?
– Eu escrevia, eu poetizava, eu... Eu não sei mais o que fazer, elas me deixaram.
– As palavras?
– Sim, as palavras.
Ela era maluca! Era só isso o que eu conseguia imaginar. Doida varrida! Como palavras podiam sumir? Mas ela estava chorando, estava aflita, aquilo devia ser sério.
– Ok, -- bati na mesa – vamos procurá-las!
– Já procurei um todo lugar – ela soltou a confidência aos soluços.
– NÃO! Pare de chorar! Eu não gosto de ver você chorando...
– Você sempre me viu chorando aqui na lanchonete.
Encarei.
 – Sim, eu percebi que você estava me observando e, se você não viesse logo, eu mesma iria sentar ao seu lado. Puxa vida, você é meio demorado, indeciso.
Ri da garota estranha que acabara de contar o meu maior segredo. Ela era incrível.
– Onde você acha que as perdeu?
– Perto das árvores, elas gostam de árvores.
– Elas... Gostam de árvores?
– Sim, elas fluem com mais facilidade perto das árvores. E do riacho, é claro.
Árvores, riachos. O que mais ela iria citar? Pássaros?
– Elas gostam de pássaros, mas preferem os gatos.
Tremi um pouco na base, ela leu meu pensamento ou já estávamos interligados?
– Então vamos para perto das árvores e do riacho. – levantei.
Ela levantou, pagou a conta e foi andando.  Chegamos perto de um riacho, ela sentou-se e pegou um papel. Rabiscou, escreveu, rasgou, me olhou... Nada.
– Elas sumiram...
– Alguém pode ter roubado.
– Sim! – Olhou rápida e bruscamente pra mim. – Alguém deve tê-las roubado de mim.
– E quem poderia ser?
– Aquele para quem eu escrevia. – a garota começou a chorar.
Fiquei confuso, como devolver as palavras a alguém? Coloquei as mãos na cabeça, respirei fundo e chorei junto. Aquele desespero dela tornou-se meu. Eu queria de alguma forma poder encontrar aquelas palavras. E que diabos de palavras ela estava falando? Existiam tantas.
De repente, a garota parou de chorar. Estalou os olhos nos meus, que estavam molhados, ajoelhou-se mais perto e pegou uma lágrima que escorria do canto dos meus olhos.
– Por que está chorando?
– Não sei – me rendi, soluçando – Por algum motivo, eu quero encontrar essas palavras que você reclama tanto. Eu sei lá! Vi você chorando e quis ajudá-la. Eu não sou assim, não me importo tanto com as pessoas, mas você me deixou preocupado. Sei que deve estar me achando louco, mas... Mas eu gosto de você. Eu gostei daquele jeito que você veio falar comigo, gostei dessas conversinhas malucas, só não gostei daquele desespero que eu via toda semana na lanchonete. Desculp --
A garota encostou os lábios dela nos meus.
Sorriu, pegou o papel e a caneta, rabiscou várias palavras nele e me entregou. Levantou-me e me abraçou bem apertado.  E, com um sorriso, se afastou cantarolando.
Daquela interrupção até eu não conseguir mais vê-la, me mantive imóvel. E não era por não querer correr atrás dela, era por não conseguir me mexer.
Depois que a garota desapareceu consegui ler o papel rabiscado.
“Obrigada, por me devolver as palavras. Agora estou as sentindo comigo de novo. Aquele que me roubou, bem, esqueça-se dele. Ele não merecia nem uma vírgula. Já você, estranho da lanchonete, merece até um livro por se importar com uma maluca abandonada. Até mais ver.”
O nome da garota abandonada por palavras era Alice Bittencourt. Como eu soube?
Anos se passaram e uma tarde, enquanto eu andava a procura de livros novos numa livraria antiga, me interessei por um livro. O título era “Riacho, árvore e palavras perdidas”. Li a sinopse, abri o livro e vi uma dedicatória: “Para o homem da lanchonete.”. Ri silenciosamente com lágrimas de saudade nos olhos. Alice cumprira o que havia escrito no bilhete.

Eu a devolvi as palavras, ela me presenteou com a maioria delas.

                                                                       Ana Eduarda 3ª A

quarta-feira, 28 de março de 2012

Novos integrantes do João no PIC-Jr Unicamp

Parabéns Vitória Carone e Stefane Freitas!!! 

Morre o escritor Millôr Fernandes

Millôr Fernandes


Morreu hoje o escritor Millor Fernandes, 88 anos, em sua residência no Rio de Janeiro por volta das 21h00.
Millor foi um grande escritor. Aliás, escritor, cartunista e tradutor.  Nasceu pobre em 1923 e as 14 anos já trabalhava como contínuo em um jornal. Viria a tornar-se jornalista anos depois, segundo ele mesmo, "tendo de fazer o que nunca aprendera a fazer. Tive sorte, nunca pensei no que queria ser quando fosse adulto."
E como tinha talento o nosso escritor. Dono de um estilo ferino e irônico, utilizava a sátira como ferramenta principal em suas obras. Foi um dos fundadores do jornal O Pasquim em junho de 1969, famoso pela resistência a ditadura militar... Sempre exercida com muita comedia, logicamente...



E os cartuns! Ah, os cartuns!




E os livros? 100 fábulas fabulosas, Um elefante no caos, Flávia: cabeça, tronco e membros... são tantos e todos formidáveis, mas o melhor de todos, o Millor definitivo (nome do livro!), esse é mesmo definitivo!
Abaixo, leia algumas frases extraídas do exemplar.
*
Divulgação
Nesta luxuosa 15ª edição estão reunidas 5.299 frases de Millôr Fernandes
Nesta luxuosa 15ª edição estão reunidas 5.299 frases de Millôr
  • Aceita esse cargo, sim. Nada tendes a perder senão a vossa covardia. Nunca ninguém perdeu dinheiro investindo na desonestidade.
  • Só louco rasga dinheiro? Bobagem. Nem louco rasga dinheiro. Experimente jogar uma nota de cinqüenta (ou mesmo de um!) num pátio de insanos. Vai ter briga pra pegar.
  • Como posso ser compreendido por milhões de medíocres que continuam a acreditar em caderneta de poupança?
  • Na nota do freguês nunca esquecer de somar também o dia e o ano. Se o freguês reclamar a gente dá outra nota e põe a diferença como desconto para clientes especiais. Os bancos fazem isso o tempo todo.
  • Pra quem gosta de puxar, qualquer saco serve. Acaba sempre puxando o saco certo. O de dinheiro.
  • Quando o paciente emocionado, diante do médico que lhe salvou a vida, declarou que "não tinha como lhe pagar", o médico sábio esclareceu: "Meu filho, desde que os fenícios criaram o sistema fiduciário essa questão está plenamente resolvida".
  • O ser humano só aprendeu a contar depois que o dinheiro apareceu na face da Terra. O homem aprendeu a contar pra poder contar dinheiro. Lucro ilícito é precaução mínima que você tem que tomar pra não ter prejuízo.
  • O lucro, disse o banqueiro, é minha pátria (justificando ter se naturalizado paraguaio).
  • Quanto é muito? Quanto é demais? Eu, por exemplo, que moro no Rio à beira-mar, tenho carro (1998, é verdade) e como nos melhores restaurantes, me considero um homem pobre.
  • A terra continua azul (vista lá de cima).




E os haicais? Lembra deles?

[POEMEU EFEMÉRICO]
"Viva o Brasil
Onde o ano inteiro
É primeiro de abril"



"Olha,
Entre um pingo e outro
A chuva não molha."


"Nos dias quotidianos
É que se passam
Os anos"



"na poça da rua
o vira-lata
lambe a lua"


"probleminhas terrenos:
quem vive mais
morre menos?"



E, por fim, pra fechar o assunto cheios de saudades...



"é meu conforto:
da vida só me tiram
morto"



Você vai fazer falta, Millôr!



Mais sobre a morte de Millor

Revista Carta Capital: Morre Millôr
Folha Ilustrada: Lembranças de Millôr

terça-feira, 20 de março de 2012

Pessoal!!!

Dica de show e de filme no SESC! 

Pedida cultural: show!


O SESC-Piracicaba exibe nesta quarta-feira, 21 de março, show imperdível pra quem gosta de rap com os rappers Criolo e Emicida
Criolo é descrito assim pela revista Bravo:
Leandro Roque de Oliveira, de 24 anos, veio ao mundo pouco antes do estouro dos Racionais MC's, a banda mais popular e influente do hip hop nacional. Como boa parte dos garotos de periferia (nasceu no Jardim Fontalis, zona norte de São Paulo), ele não conheceu o Brasil sem o discurso indignado de Mano Brown, o líder do grupo. Sobretudo por isso, já na adolescência, começou a transformar o próprio cotidiano em rimas. Hoje, é estrela ascendente do rap e um craque quase imbatível nas batalhas defreestyle - competições em que rappers se desafiam por meio de improvisos. As sucessivas vitórias nessas brigas de palavras lhe renderam a alcunha de Emicida, neologismo que significa algo como "o matador (ou homicida) de MCs". 
Para ler a reportagem completa, acesse o site:


Criolo dispensa comentários! Até Chico Buarque homenageou o cantor recentemente. Na verdade, o cantor retribuiu uma gentileza:  durante um de seus shows, Chico cantou um dos raps de Criolo, releitura da Canção Cálice, uma das mais famosas de Chico Buarque.

O rap de Criolo que faz a releitura de Cálice segue aqui! Bom show a todos!!!

Pedida cultural:

segunda-feira, 12 de março de 2012

E se colocar pimenta ?: Fim De Ano...

E se colocar pimenta ?: Fim De Ano...: Época de rir, de se reunir com os amigos, de chorar, de ver o mundo com outros olhos... com mais responsabilidade. Época de olhar tudo o que...

quinta-feira, 1 de março de 2012

Café.

É tanta falta de cultura e informação,
é tanto desinteresse e despreocupação,
tanta falta do que fazer misturada com ignorância.
É tanta corrupção e covardia, tanta incompreensão.
É tanto tudo, que me dá até ânsia.

É tanta alienação, tanto ódio, tanta guerra.
É tanto despreparo e falta de estrutura.
Tanta poluição na terra.
É tanta mesquinharia e futilidade,
tanta falta de maturidade.

São tantas pessoas acomodadas e conformadas,
é tanto sofrimento, são tantos assassinatos.
São tantas nações enclausuradas.
E são tantos hiatos...

Ah! E eu não sei preparar o café
como minha avó preparava.
E é isso, queridos, o que mais me deixa brava.

                                                                                                                        Ana Eduarda 3º A